
em todas as ruas te perco.
Conheço tão bem o teu corpo,
sonhei tanto a tua figura,
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura,
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura.
Tanto, tão perto, tão real...
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento,
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu,
onde um braço teu me procura.
Em todas as ruas te procuro,
em todas as ruas te perco."
Mário Cesariny, Pena Capital (1982)
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